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terça-feira, 12 de abril de 2016

O Cervo e o Leão


Bebia um Cervo em um riacho quando viu seu reflexo na água. Observou suas pernas finas e achou-as muito feias, enquanto que considerou a galhada de seus chifres muito bonita e formosa.

Quando saía dali, surgiu um Leão que começou a persegui-lo. Com os pés, que havia desprezado, ganhava velocidade e com isso distância de seu perseguidor.

Com os chifres, entretanto, se enroscava nos ramos das árvores, o que diminuía sua vantagem. Enquanto corria, pensava:


- Como fui bobo, desprezando o que me é mais importante e elogiando o que pra mim tem menos valor.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

O Galo e a Pérola



Um galo, que ciscava no terreiro para encontrar alimento, fossem migalhas, ou bichinhos para comer, acabou encontrando uma pérola preciosa. Após observar sua beleza por um instante, disse:

- Ó linda e preciosa pedra, que reluz seja com o sol, seja com a lua, ainda que esteja num lugar sujo, se te encontrasse um humano, fosse ele um construtor de jóias, uma dama que gostasse de enfeites, ou mesmo um mercenário, te recolherias com muita alegria, mas a mim de nada prestas pois que é mais importante uma migalha, um verme, ou um grão que sirvam para o sustento.


Dito isto, a deixou e seguiu esgravatando para buscar conveniente mantimento.

quinta-feira, 31 de março de 2016

A Andorinha e as Outras Aves




Estavam os homens semeando algodão e linho. Observando-os, a Andorinha disse aos outros
pássaros:

- Será para o nosso mal o que os homens estão plantando, pois dessas sementes nascerão algodão e linho, depois eles farão laços e redes para nos prenderem. Melhor seria destruirmos o que for nascendo para que estejamos seguras.


As Outras Aves riram muito e não quiseram seguir o conselho. A Andorinha, vendo isso, fez as pazes com os homens e foi viver perto de suas casas. Depois de algum tempo, os homens fizeram laços, redes e instrumentos de caça, com os quais passaram a prender as Outras Aves, preservando a Andorinha.



Esopo

terça-feira, 22 de março de 2016

O Lobo e o Cordeiro



Em um pequeno córrego, bebia água um Lobo esfomeado, quando chegou, mais abaixo da corrente de água um Cordeiro, que começou também a beber. O Lobo olhou com os olhos sanguinários e arreganhando os dentes disse:
- Como ousas turvar a água onde bebemos?
O Cordeiro respondeu com humildade:
- Eu estou abaixo de onde bebes e não poderia sujar a tua água.
O Lobo, mostrando-se mais raivoso tornou a falar:
- Por isso, tens que praguejar? Há seis meses teu pai também me ofendeu!
Respondeu o Cordeiro:
- Creio que há um engano, porque eu nasci há apenas três meses, então não havia nascido e por isso não tenho culpa.
O Lobo replicou:
- Tens culpa pelo estrago que fizestes pastando em meu campo.
Disse o Cordeiro:
- Isso não parece possível, porque ainda não tenho dentes.

O Lobo, sem mais razões, saltou sobre o Cordeiro, e o comeu.

sábado, 19 de março de 2016

O Julgamento da Ovelha



Um cachorro de maus bofes acusou uma pobre ovelhinha de lhe haver furtado um osso.

— Para que furtaria eu esse osso — alegou ela — se sou herbívora e um osso para mim vale tanto quanto um pedaço de pau?

Não quero saber de nada. Você furtou o osso e vou já levá-la aos tribunais.

E assim fez.

Queixou-se ao gavião penacho e pediu-lhe justiça. O gavião reuniu o tribunal para julgar a causa, sorteando para isso doze urubus de papo vazio.

Comparece a ovelha. Fala. Defende-se de forma cabal, com razões muito irmãs das do cordeirinho que o lobo em tempos comeu.

Mas o júri, composto de carnívoros gulosos, não quis saber de nada e deu a sentença:

— Ou entrega o osso já e já, ou condenamos você à morte!

A ré tremeu: não havia escapatória!… Osso não tinha e não podia, portanto, restituir; mas tinha a vida e ia entregá-la em pagamento do que não furtara.


Assim aconteceu. O cachorro sangrou-a, espostejou-a, reservou para si um quarto e dividiu o restante com os juizes famintos, a titulo de custas…


Monteiro Lobato

quinta-feira, 10 de março de 2016

A raposa e as uvas



Chegando uma Raposa a uma parreira, viu-a carregada de
uvas maduras e formosas e cobiçou-as. Começou a fazer
tentativas para subir; porém, como as uvas estavam altas e a
subida era íngreme, por muito que tentasse não as conseguiu
alcançar. Então disse:
— Estas uvas estão muito azedas e podem manchar-me os
dentes; não quero colhê-las verdes, pois não gosto delas
assim.

E, dito isto, foi-se embora.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A Gralha e os Pavões


Uma Gralha, pediu emprestadas algumas penas dos Pavões e passou a desprezar as outras gralhas, andando apenas junto com os Pavões. Depois de um tempo, os Pavões pediram suas penas de volta, mas como estivessem enfiadas no couro da Gralha, bicaram-na até arrancá-las, fazendo com que a Gralha ficasse machucada e sem as suas próprias penas. Nesse estado, buscou as outras gralhas, ainda que com temor e vergonha; elas lhe disseram: - De nada te valeu rejeitares a tua natureza, querendo ser o que não eras. Agora aqui estás, pelada, ferida e envergonhada.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

A Rã e o Touro



Um Touro, passeando na beirada do rio, por acidente pisou numa ninhada de pequenas rãs esmagando uma delas, ferindo-a gravemente. A Rã, mãe da ninhada, ao dar pela falta de um dos filhotes, perguntou aos outros o que acontecera. Eles procuraram descrever o ocorrido, dizendo um deles: - Há poucos minutos uma besta enorme pisou na nossa irmã. Outro filhote disse:

- Era mesmo enorme e tinha quatro patas muito grandes.

Um outro disse:
- Era uma besta enorme, tinha mesmo quatro patas muito grandes que tinham uma rachadura.

A Rã mãe começou a comer e inchar-se com o vento, perguntando aos filhotes se era já tão grande como diziam, ao que respondiam que não. A Rã voltou a colocar mais força para inchar ao que os filhotes disseram que faltava muito para igualar-se ao Touro. Tanto inchou a Rã que veio a arrebentar-se. Um besouro, que a tudo assistia, pensou:


 - É verdade que, na maioria das vezes, as coisas insignificantes desviam nossa atenção do verdadeiro problema.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

As Mãos, os Pés, o Estômago e o Corpo



Certo dia, as Mãos e os Pés, trocando ideias, começaram a se queixar das outras partes do corpo. No final da conversa, chegaram à conclusão que trabalhavam a vida inteira, custeando o Corpo e que tudo era mais em proveito do Estômago, que comia sem trabalho. Portanto, o Estômago que procurasse o seu sustento, porque as Mãos e os Pés não iriam mais dar-lhe de comer. O Estômago pediu muito, mas disseram que haviam tomado uma decisão. Assim, começaram a lhe negar comida, o que foi enfraquecendo-o e, com isso, o Corpo inteiro. Sentindo as Mãos e os Pés se enfraquecerem, começaram novamente a querer alimentar o Estômago, mas como a fraqueza fosse muita, nada lhes valeu, morrendo todos juntos.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A Cigarra e a Formiga

Num dia de Verão, a Cigarra cantava feliz.
Enquanto isso, uma Formiga passou por perto. Vinha cansada, carregando penosamente um grão de milho que arrastava para o formigueiro.
– Por que não ficas aqui para conversar um pouco comigo, em vez de te cansares tanto? – Perguntou-lhe a Cigarra.
– Preciso guardar comida para o Inverno – respondeu-lhe a Formiga.
– Aconselho-te a fazeres o mesmo.
– Por que vou me preocupar com o Inverno? Comida não nos falta… – respondeu a Cigarra, olhando em redor.
A Formiga não respondeu, continuou o seu trabalho e foi-se embora.
Quando o Inverno chegou, a Cigarra não tinha nada para comer. No entanto, viu que as Formigas tinham muita comida porque tinham guardado no Verão. Distribuíam diariamente entre si a comida e não tinham fome. Então a Cigarra compreendeu que tinha feito.
Moral da história: Não penses só em se divertir. Trabalhe e pense no futuro.
Esopo